O Ecossistema Dakila, um grupo com alcance global e notório por suas teorias heterodoxas, prepara-se para lançar a primeira pós-graduação em ufologia do mundo. Esta iniciativa, originada em Mato Grosso do Sul, já desperta severas críticas e um ceticismo profundo por parte da comunidade científica brasileira. Fundamentado em princípios que questionam o conhecimento estabelecido, como a crença na Terra convexa e a existência de uma civilização ancestral Muril na Amazônia, o grupo liderado pelo empresário Urandir Fernandes de Oliveira navega em um complexo debate entre a busca por “novas possibilidades” e a rigorosa metodologia científica.
A Pós-Graduação em Ufologia Sob Escrutínio Acadêmico
O curso de pós-graduação em ufologia proposto pelo Ecossistema Dakila, amplamente divulgado em suas plataformas, prevê uma carga horária de 360 horas. O objetivo declarado é “incentivar pesquisadores, pensadores e pessoas curiosas a explorarem novas possibilidades de aprendizado”. Contudo, a ufologia é, de maneira geral, classificada como uma pseudociência, o que lança um olhar crítico sobre a validade acadêmica e o embasamento do programa frente aos padrões educacionais e científicos tradicionais.
Rejeição Contundente da Ciência Tradicional Brasileira
A Dura Posição da Astronomia Nacional
A Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), por meio de seu presidente Hélio Rocha, manifestou-se de forma contundente contra as propostas do Ecossistema Dakila. Rocha afirmou que a entidade “não apoia, não promove e não reconhece qualquer instituto que se fundamente em princípios anticientíficos e hipóteses tresloucadas tais como terra oca ou Ratanabá. Não há o que falar sobre isso. É simplesmente bobagem”, evidenciando um abismo entre as abordagens do grupo e o consenso científico.
Alerta da Arqueologia Brasileira
Não apenas a astronomia, mas também a Sociedade Arqueológica Brasileira (SAB) demonstra grande preocupação com as atividades do grupo. Um dossiê intitulado “A Dakila Pesquisas e as licenças de pesquisas arqueológicas”, assinado pelo historiador e arqueólogo Artur Henrique Franco Barcelos, detalha as tentativas recorrentes da entidade, desde 2023, de obter autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O objetivo seria realizar pesquisas arqueológicas na região de Apiacás, Mato Grosso, onde alegam ter descoberto a mítica cidade de Ratanabá, berço da civilização Muril, mas a permissão ainda não foi concedida.
Urandir Fernandes de Oliveira: O Megaempresário e Suas Teses
Urandir Fernandes de Oliveira, figura central e fundador do Ecossistema Dakila, é um megaempresário que se destaca não apenas pela ufologia, mas por uma série de empreendimentos e narrativas. Ele é amplamente conhecido por ser o “descobridor” do chamado ET Bilu, uma entidade que supostamente se comunica com humanos no Projeto Portal, em Corguinho, a 99 km de Campo Grande. Nesse local, está sendo erguida a Cidade Zigurats, outra criação do empresário que inclui uma pirâmide. Em suas publicações, Urandir é descrito como “o farol do desenvolvimento na fronteira tecnológica mundial e a luz pioneira que levará a humanidade pelo caminho do esclarecimento científico-tecnológico”.
Diante das críticas, Urandir Fernandes de Oliveira tem uma retórica própria, que deslegitima a arqueologia tradicional. Em vídeos, ele afirma que a área no Brasil integra uma “rede de manipulações” que impede novas pesquisas e se articula para coibir as atividades de seu ecossistema. Segundo ele, “meio dúzia de pessoas que se dizem detentoras do conhecimento arqueológico, seguram as informações, seguram as pesquisas, e utilizam de algumas artimanhas acadêmicas para travar a divulgação e principalmente o aprofundamento das pesquisas de alguns profissionais que não estejam jogando no mesmo tabuleiro deles. Então isso para o Brasil é muito feio”.
O Universo Expandido de Dakila: Além da Ufologia e Arqueologia
O escopo de estudo do Ecossistema Dakila vai além da arqueologia e da ufologia tradicional. O grupo também dedica-se à investigação de objetos voadores não identificados (OVNIs) e das denominadas “luzes bioplásmicas”. Estas são descritas como manifestações luminosas misteriosas, tidas como naves com uma frequência energética capaz de interagir com a humanidade e provocar transformações em quem as observa, sugerindo um objeto de estudo que transita entre o científico e o espiritual.
Para além das pesquisas, Urandir Fernandes de Oliveira é proprietário de um diversificado portfólio de negócios, listado no site principal do grupo Dakila. Entre os empreendimentos, destacam-se a 067 Vinhos, a moeda digital BDM, além de lojas de materiais de construção, cerâmica e até mesmo produtos cosméticos, o que evidencia a ampla gama de interesses comerciais do fundador e sua rede de atividades.
A controvérsia em torno do Ecossistema Dakila e sua pós-graduação em ufologia sublinha a complexidade da fronteira entre o conhecimento estabelecido e as novas proposições. Apesar do interesse jornalístico em apresentar um contraponto direto, a equipe de comunicação do grupo informou que não há interesse em manter qualquer relação institucional ou jornalística com veículos como o Campo Grande News, e que não seriam concedidas entrevistas ou informações adicionais. A narrativa, portanto, permanece em um campo de forte discordância entre o discurso científico e as afirmações do grupo.
Continue acompanhando o Jornal Alvoradense para se manter informado de todas as notícias da região.


