A 4ª Vara Criminal de Campo Grande realizou, nesta sexta-feira, a primeira audiência de instrução da 4ª fase da Operação Successione. Esta investigação, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), concentra-se na exploração do jogo do bicho, lavagem de dinheiro e corrupção em Mato Grosso do Sul. O evento crucial ocorreu a portas fechadas no auditório Desembargador Assis Pereira da Rosa, no Fórum da Capital. A presença foi restrita a réus, advogados e representantes do Ministério Público, marcando um passo decisivo no processo criminal. A operação foi deflagrada em novembro do ano passado, e a imprensa permaneceu do lado de fora do local, sem previsão para encerramento dos trabalhos, refletindo a complexidade e a profundidade da apuração.
Réus Chave e o Núcleo da Organização Investigada
Compareceram presencialmente o advogado Rhiad Abdulahad, apontado como integrante do núcleo financeiro da organização, responsável pela circulação de ativos ilícitos. Jonathan Gimenez Grance, primo do narcotraficante Jarvis Pavão, e Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk na época em que a operação foi deflagrada, também estiveram presentes. O Ministério Público acusa esse grupo pela exploração ilegal do jogo do bicho, além de atuar em supostos esquemas de lavagem de capitais e corrupção ativa, delineando uma rede complexa de atividades. Outros investigados, testemunhas e envolvidos acompanham os depoimentos por videoconferência, ampliando a logística da audiência.
Lideranças e Prisões Preventivas Mantidas
Em decisão anterior, o juiz José Henrique Kaster Franco manteve as prisões preventivas de Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, considerados o "núcleo duro" e líderes da organização criminosa. O advogado Rhiad Abdulahad também teve sua prisão mantida, devido ao seu alegado papel no núcleo financeiro do esquema, sendo responsável pela circulação de capitais. Essa medida judicial reforça a seriedade das acusações e a percepção de risco para a investigação, além de sublinhar a complexidade da estrutura hierárquica do grupo, conforme apontado na denúncia do Ministério Público.
Contestações da Defesa e o Caso Neno Razuk
As defesas dos réus contestam veementemente a denúncia e buscam desqualificar as provas apresentadas. São alegadas nulidades na obtenção de provas digitais e a afirmação de que conversas utilizadas na investigação foram interpretadas fora de contexto. Rhiad Abdulahad, em sua defesa, sustenta que determinados diálogos citados no processo ocorreram no estrito exercício da advocacia. No que tange ao envolvimento político, o deputado estadual Neno Razuk responde por acusação de lavagem de capitais. No entanto, o juiz Kaster Franco afastou a discussão sobre foro especial, afirmando que o crime atribuído ao parlamentar não possui relação direta com o exercício do mandato, garantindo que o processo contra o deputado siga na 4ª Vara Criminal de Campo Grande, assim como para os demais envolvidos.
Medidas Cautelares Alternativas Aplicadas
Enquanto o "núcleo duro" e o advogado Rhiad Abdulahad permanecem detidos, parte dos demais denunciados teve a prisão substituída por medidas cautelares. Estas incluem monitoramento eletrônico, que impõe restrições de deslocamento, comparecimento periódico em juízo, para prestar informações sobre suas atividades, e recolhimento noturno. Essa diferenciação nas decisões judiciais reflete a análise individual da situação de cada réu pela Justiça, ponderando riscos e a necessidade da privação de liberdade. A audiência de instrução é um passo crucial para a coleta formal de provas e depoimentos, fase fundamental para a elucidação completa dos fatos investigados na Operação Successione, uma das maiores ações contra o crime organizado em Mato Grosso do Sul.



