Uma madrugada de terror e destruição marcou o Jardim Campo Belo, na região do Nova Lima, em Campo Grande, neste domingo (25). Um incêndio de grandes proporções consumiu completamente uma marcenaria e reduziu a cinzas quatro veículos que estavam no local, na Avenida Gualter Barbosa. O incidente, que teve início por volta da meia-noite, deixou um cenário de devastação e gerou apreensão entre os moradores da área, que temeram pela segurança de suas próprias residências diante da intensidade das chamas.
A Devastação no Coração do Estabelecimento
O fogo, que se alastrou rapidamente, não poupou nada em seu caminho. O telhado da marcenaria cedeu sob o calor intenso, desabando sobre o que restava do interior. Pilhas de madeiras, matéria-prima essencial para o negócio, foram reduzidas a cinzas fumegantes, enquanto peças de ferro, antes robustas, retorceram-se e derreteram. Ferramentas, insumos e outros materiais diversos foram irremediavelmente destruídos, transformando o estabelecimento em um amontoado de escombros carbonizados. Os quatro automóveis, que estavam estacionados dentro ou nas proximidades imediatas da marcenaria, foram completamente consumidos pelas chamas, restando apenas carcaças metálicas irreconhecíveis.
A intensidade do incêndio foi tamanha que a estrutura ao redor da marcenaria também foi severamente comprometida. Parte de um muro desabou, e uma parede que dividia o terreno do estabelecimento com a casa vizinha ficou perigosamente torta, ameaçando cair a qualquer momento. Na manhã de domingo, horas após o início do sinistro, ainda era possível observar pontos com fogo e o cheiro forte de fumaça impregnava o ar, evidenciando a magnitude do ocorrido.
O Relato Dramático de um Vizinho
Elifas Garcia, um aposentado de 81 anos que reside ao lado da marcenaria, foi uma das testemunhas mais próximas da tragédia. Ele contou à reportagem que o incêndio começou por volta da meia-noite. Apesar dos chamados dos vizinhos, o sono profundo o impediu de acordar de imediato. Somente a chegada do Corpo de Bombeiros, com as luzes de giroflex iluminando a região, o alertou para a gravidade da situação.
“Os vizinhos me chamaram, mas eu não acordei. Fui acordar só quando os bombeiros chegaram, porque clareou, com as luzes de giroflex. Quando saí, não aguentei o calor do fogo”, relatou Elifas, ainda visivelmente abalado. Segundo ele, as chamas atingiram uma altura impressionante, chegando a cerca de quatro ou cinco metros, e ameaçaram seriamente atingir sua residência, gerando momentos de pânico e incerteza sobre a segurança de seu lar.
A Preocupação com a Estrutura Compartilhada
A situação de Elifas Garcia foi agravada pelo fato de o muro que separava sua propriedade da marcenaria ter sido danificado pelo incêndio. O aposentado revelou que, no passado, o responsável pela marcenaria havia solicitado autorização para utilizar a estrutura como divisa entre os terrenos. “Estava um perigo para o lado da casa. Eu liguei para a dona dar um jeito. Esse muro é meu. Na época, eles pediram para usar meu muro. Agora aconteceu essa tragédia, meu muro foi para o pau”, desabafou, expressando sua frustração e preocupação com os prejuízos.
Além dos danos estruturais ao muro, a fiação elétrica da casa de Elifas também foi atingida pelo fogo, deixando o imóvel sem energia elétrica. O idoso teme que a parte da estrutura da marcenaria que permaneceu em pé, mas está comprometida, possa desabar a qualquer momento, provocando novos e ainda maiores prejuízos à sua propriedade e colocando em risco a segurança de sua moradia.
Cenário Pós-Incêndio e Incertezas
Na manhã de domingo, o cenário ao redor da marcenaria era de desolação. Restos de materiais carbonizados estavam espalhados do lado de fora, e o interior do estabelecimento era um emaranhado de destroços. Do lado onde o muro desabou, havia um terreno baldio, o que pode ter contribuído para a propagação do calor e a intensidade do incêndio na divisa. As causas do incêndio ainda não foram informadas pelas autoridades competentes, e a investigação deverá apurar o que provocou tamanha destruição.
O proprietário da marcenaria não foi localizado no local durante a manhã, e a reportagem não conseguiu contato para obter informações sobre os prejuízos e os planos para a reconstrução. Curiosamente, três placas de venda estavam instaladas no estabelecimento, levantando questões sobre o futuro do terreno e do negócio. A comunidade do Jardim Campo Belo aguarda respostas e medidas para garantir a segurança da área e a remoção dos escombros, que representam um risco e um lembrete constante da madrugada de pavor.
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