Crise no Rio Pardo: Plantas Aquáticas Persistem Há Mais de Um Ano em Meio a Disputas

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O Rio Pardo, vital para o município de Ribas do Rio Pardo (situado a 97 km de Campo Grande), enfrenta uma severa crise ambiental há mais de um ano. A proliferação maciça de macrófitas aquáticas, que, conforme relatos, transformou o rio em 'gramados' a partir de fevereiro de 2025, inviabiliza atividades essenciais como navegação, pesca e lazer. A falta de clareza sobre a origem do fenômeno e a ausência de soluções efetivas têm gerado crescente frustração e indignação entre a população e as autoridades locais.

Ação Judicial e Acusações de Falhas na Fiscalização

Diante da situação, o proprietário de um imóvel na região, Maikon Roger Vargas de Araújo Calzolaio, ingressou com uma ação popular. Os réus são a Pantanal Energética Ltda., empresa responsável pela usina hidrelétrica local, e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão ambiental estadual. O advogado de Maikon, Marco Antônio Teixeira, critica a falta de atuação efetiva do poder público, apontando a responsabilidade primária do Imasul em exigir medidas adequadas. Ele acusa a Pantanal Energética de não cumprir seu compromisso de manter o lago limpo. Teixeira afirma que providências significativas, como a abertura das comportas, só ocorreram tardiamente, após grande repercussão na imprensa e o ingresso da ação judicial, e que a interrupção da liberação de água posteriormente agravou o problema.

Prejuízos Sociais e Ambientais para a Comunidade

Os impactos da crise são profundamente sentidos pela população local. Ribeirinhos e proprietários de imóveis na região sofrem diretamente com a interrupção do lazer no lago, que antes era utilizado para atividades como barco, lancha e jet ski. A ação judicial aponta falhas da empresa na limpeza do lago e uma suposta omissão do Imasul no processo de licenciamento ambiental, que, segundo o advogado, não teria previsto medidas de compensação para a reprodução dos peixes, dado que a barragem impede a piracema. São sugeridas alternativas como programas de repovoamento com alevinos ou manejo direto de espécies. Além disso, há indícios técnicos de poluição por excesso de nutrientes, com análises realizadas pelo próprio Imasul registrando altos níveis de fósforo, o que levou à aplicação de multas a outras empresas e empreendimentos rurais da região, embora não diretamente envolvidos nesta ação judicial.

Prefeitura: Ações e Respostas Pendentes

A Prefeitura de Ribas do Rio Pardo, por meio do diretor do Departamento de Meio Ambiente, Marcelo Ângelo da Maia Cunha, afirma ter adotado medidas. Ele relata a realização de uma reunião em 21 de julho de 2025 com o prefeito Roberson Moureira e o diretor-presidente do Imasul, André Borges, para solicitar apoio técnico. O município requisitou licenças ambientais e análises de qualidade da água de grandes empreendimentos instalados ao longo do rio – dados cruciais para aprofundar a avaliação técnica, mas que ainda estão pendentes. Após vistoria técnica do Imasul, a empresa Elera, atual gestora da usina, foi autorizada a abrir as comportas para o extravasamento das macrófitas. Contudo, moradores como o empresário Victor Baziliche expressam a contínua falta de informação sobre o andamento do caso e a ausência de uma solução definitiva, mantendo a incerteza sobre a recuperação do Rio Pardo.

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