Morte de Bebê em Campo Grande: Família Paterna Lamenta Omissão e Acolhimento Negado

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A trágica morte de um bebê de 1 ano e 8 meses em Campo Grande, internado com graves sinais de agressão e suspeita de violência sexual, desvelou um doloroso panorama de perdas e afastamento familiar. Filho de Josue de Oliveira, o menino nasceu após o falecimento de seu pai biológico em acidente de trânsito em 2 de junho de 2024, com a mãe ainda grávida. Segundo parentes paternos, desde então, a criança nunca foi apresentada à família do pai, que ansiava por sua presença.

Fragmentação Familiar e o Distanciamento Materno

O caso expõe uma estrutura familiar materna complexa. Dos quatro filhos da mulher investigada, três são criados por famílias paternas distintas, conforme o 2º Conselho Tutelar da Região Norte. O bebê falecido era o único sob os cuidados diretos da mãe, e essa convivência era recente, iniciada há cerca de quatro meses, após ele residir com a avó materna até poucos meses antes.

O Desejo Frustrado de Convivência e Acolhimento

A avó paterna, Iracy Quirino da Silva, de 63 anos, e o tio Jonathan, em entrevista ao Jornal Alvoradense, expressaram o desejo de terem convivido com o menino. Ambos afirmaram estarem dispostos a criá-lo, como já fazem com o irmão mais velho da vítima, de 4 anos, também filho de Josue. "Eu sempre pedia para ela trazer o neném aqui para eu conhecer. Nunca cheguei a conhecer ele", relatou Iracy, emocionada.

A dor pela morte do neto misturava-se ao sentimento de nunca o ter conhecido. "Chorei muito. A gente sente porque é sangue da gente. Era meu neto", desabafou Iracy. O irmão mais velho do bebê vive com a avó desde os primeiros meses, diante de uma rotina familiar que, para ela, era marcada pela ausência de cuidados maternos constantes. "Ele sempre morou comigo. Cuido dele desde novinho. Eu sempre presenciei que ela não era uma mãe presente, de cuidar. Meu filho falava: mãe, eu que dou banho, eu que troco, eu que cuido", detalhou Iracy.

O Rompimento do Vínculo

Mesmo nas raras visitas da mãe à casa da família, Iracy percebia pouco vínculo afetivo. "Ela vinha aqui, mas não era aquela mãe de pegar no colo, de ficar junto. Ficava mais sentada, afastada. Meu filho que pegava a criança", recorda. Após a morte de Josue, o contato com a família paterna praticamente cessou. Jonathan relata uma única visita da mãe, antes do nascimento do bebê, para buscar um carrinho. "Depois nunca mais", completou o tio, confirmando que a criança jamais foi levada à casa após seu nascimento.

Revolta, Decepção e o Clamor por Justiça

Apesar das críticas sobre o distanciamento, os parentes nutriram carinho e confiança de que a mãe protegeria o filho. "A gente tinha carinho por ela. A gente pensava que ia proteger. Nunca imaginamos uma coisa dessas", disse Jonathan. Eles acreditam que a falta de aproximação pode ter sido motivada pelo receio de perder a guarda, como ocorrera com o irmão mais velho. Contudo, Jonathan nega qualquer intenção de afastar os filhos da mãe, reiterando que o objetivo sempre foi colaborar. "Ninguém queria tomar filho de ninguém. A gente queria ajudar."

Sem atribuir diretamente a autoria das agressões à mãe, a família paterna manifesta hoje revolta pela omissão e pela ausência de proteção ao menino. Jonathan é enfático: se ela enfrentava dificuldades, poderia ter recorrido aos parentes do pai. "Ela pode não ter feito diretamente, mas teve culpa por permitir uma situação dessa. Se ela não queria, se não dava conta, podia deixar aqui. Estaria bem cuidado. Não faltava amor, carinho, atenção. Aqui tem família", desabafou, ressaltando que a casa já estava estruturada para receber a criança.

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