Dez meses se passaram desde o anúncio promissor de um viaduto estaiado na movimentada rotatória do cruzamento das avenidas Gury Marques e Interlagos, popularmente conhecida como rotatória da Coca-Cola, em Campo Grande. Contudo, o que deveria ser um marco na melhoria da mobilidade urbana da capital sul-mato-grossense permanece apenas no campo das intenções, sem sequer um projeto arquitetônico ou de engenharia concretizado. A expectativa gerada pelo vultoso investimento, que ultrapassa os R$ 87 milhões, contrasta com a inércia burocrática que impede o avanço da obra.
Recursos Milionários em Suspenso
A formalização do compromisso para a construção do viaduto foi publicada no Diário Oficial da União em dezembro do ano passado, detalhando um contrato entre o Governo de Mato Grosso do Sul e o Governo Federal. Este acordo previa um repasse significativo de R$ 86.985.645,01, oriundos do Programa Mobilidade Urbana, uma iniciativa federal destinada a aprimorar a infraestrutura de transporte nas cidades brasileiras. Adicionalmente, o Governo Estadual comprometeu-se com uma contrapartida de R$ 861.244,01, elevando o montante total para quase R$ 88 milhões. Na época do anúncio, o então secretário municipal de obras, Marcelo Miglioli, chegou a mencionar que os valores para a construção totalizariam R$ 90 milhões, provenientes de emendas parlamentares, reforçando a amplitude do projeto.
Apesar da robustez financeira e da formalização em diário oficial, a realidade atual é de estagnação. A reportagem do Jornal Alvoradense, ao buscar informações junto ao Governo do Estado e à Prefeitura de Campo Grande, constatou que o projeto não saiu do papel, frustrando as expectativas de motoristas e moradores que utilizam a região diariamente.
O Impasse Burocrático: Estado e Município em Diálogo
A principal barreira para o início das obras parece residir na indefinição sobre a responsabilidade pela elaboração do projeto executivo. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) informou que aguarda a elaboração do projeto de construção do viaduto pela prefeitura para, então, dar andamento ao processo licitatório, que ficará sob sua responsabilidade. Essa postura indica que, para o Estado, a bola está com o município.
Por outro lado, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) apresentou uma perspectiva ligeiramente diferente. Em nota, o município confirmou que a Sisep é quem deve contratar o projeto, enquanto o Governo do Estado será o responsável pela licitação da obra. Contudo, a nota conclui que, “no momento, as tratativas seguem de forma conjunta entre as instituições para o desenvolvimento das etapas necessárias à viabilização do empreendimento”. Essa declaração, embora sugira colaboração, não esclarece o cronograma ou os prazos para a contratação e entrega do projeto, mantendo a indefinição sobre quem, de fato, dará o primeiro passo concreto.
Impacto na Mobilidade Urbana de Campo Grande
A rotatória da Coca-Cola é um ponto estratégico e de grande fluxo de veículos em Campo Grande, conectando importantes vias e servindo como acesso a diversas regiões da cidade. O congestionamento, especialmente nos horários de pico, é uma realidade diária para milhares de motoristas, motociclistas e usuários do transporte público. A construção de um viaduto estaiado nesse local não seria apenas uma melhoria estética, mas uma solução fundamental para desafogar o trânsito, reduzir o tempo de deslocamento e aumentar a segurança viária.
A demora na concretização do projeto, apesar dos recursos garantidos, gera frustração e questionamentos por parte da população. A promessa de uma infraestrutura moderna e eficiente para Campo Grande está em compasso de espera, enquanto a burocracia entre os entes federativos impede que a cidade avance em seu desenvolvimento urbano. É imperativo que Estado e Município alinhem suas ações e definam um cronograma claro para que o projeto do viaduto deixe o papel e se torne uma realidade, beneficiando diretamente a qualidade de vida dos campo-grandenses.
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