A tranquilidade da Rua Dom Aquino, na região da antiga rodoviária de Campo Grande, foi brutalmente interrompida na noite da última sexta-feira (10) com o assassinato de José dos Santos Cunha, carinhosamente conhecido como “Maranhão”. Um homem em situação de rua que teve sua vida ceifada por golpes de faca, em um crime de grande repercussão. A agilidade da Polícia Militar resultou na prisão em flagrante de Weverton Ocampos de Oliveira, o “Jabuti”, no sábado (11), apontado como suspeito de participação no crime que chocou a comunidade local. A investigação, no entanto, mergulha em um complexo enredo de contradições e acusações, com o detido atribuindo a autoria do golpe fatal a um comparsa ainda foragido.
A Dinâmica da Noite Fatídica e a Desavença por Dívidas
O homicídio, ocorrido em uma área já conhecida pela vulnerabilidade social e pela movimentação intensa, deixou marcas profundas. “Maranhão” foi encontrado sem vida, vítima de múltiplas perfurações, indicando a brutalidade do ataque. Conforme o boletim de ocorrência, a motivação por trás da tragédia remonta a uma desavença acalorada iniciada na noite anterior ao crime. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram que a vítima teria sido confrontada por um grupo que exigia o pagamento de uma dívida, cujo teor seria relacionado a entorpecentes ou a produtos supostamente furtados. Este cenário de cobrança e disputa, infelizmente comum em certas regiões, culminou na escalada de violência que tiraria a vida de José dos Santos Cunha.
Imagens Que Chocam: A Prova Material do Crime
Um dos elementos mais contundentes da investigação são as imagens capturadas por uma câmera de segurança na Rua Dom Aquino, que registraram momentos cruciais do assassinato. O vídeo, que se tornou peça fundamental para a polícia, mostra um grupo de pessoas sentadas na calçada instantes antes do ataque, em um ambiente aparentemente comum que logo se tornaria palco de tragédia. Em uma das sequências mais perturbadoras, Weverton Ocampos, “Jabuti”, é visto subindo em uma bicicleta e proferindo frases carregadas de ameaça e desafio: “vai puxar na câmera, vai puxar eu pegando o barato. Se não foi eu, vai dar ruim, irmão”, diz ele, demonstrando total ciência da presença do monitoramento. Logo em seguida, ele desce da bicicleta, caminha em direção a “Maranhão” e, diante de todos, o atinge com uma facada, desdenhando da vítima que tenta fugir ao gritar “vai otário”. Este registro visual contradiz veementemente a versão apresentada por “Jabuti” em seu depoimento, solidificando a força da acusação.
A Prisão e os Depoimentos Conflitantes
A prisão de “Jabuti” foi resultado de uma busca incessante da Polícia Militar, que o localizou nas proximidades da antiga rodoviária, usando vestimentas que batiam com as registradas pelas câmeras de segurança, confirmando sua presença no local do crime. No interrogatório, Weverton apresentou uma versão que visava eximi-lo da culpa pelo golpe fatal. Ele afirmou estar acompanhado da esposa, sobrinho, “Japa” e outras pessoas quando “Maranhão” se aproximou fazendo ameaças, e alegou que a vítima já o havia esfaqueado em uma discussão anterior, sugerindo um histórico de conflitos. Segundo sua narrativa, tanto ele quanto “Japa” portavam facas no momento do confronto, mas foi “Japa” quem desferiu o golpe no tórax da vítima. “Jabuti” ainda declarou que, após o crime, “Japa” lhe entregou a faca usada, pedindo que a escondesse em sua residência, o que ele teria feito, além de guardar a própria faca que carregava, negando veementemente qualquer ataque direto.
Testemunhas e a Busca Implacável por "Japa"
Contrariando a versão de “Jabuti”, o depoimento de uma testemunha chave detalha uma dinâmica diferente do crime, oferecendo uma perspectiva crucial para a investigação. Este indivíduo afirmou ter presenciado “Japa” e “Jabuti” atravessando a rua em direção a “Maranhão”, que estava sentado em frente a um estabelecimento comercial. Durante a discussão que se seguiu, a testemunha aponta que “Japa” teria entregue a faca ao comparsa, que então desferiu o golpe no tórax da vítima. Mesmo ferido gravemente, “Maranhão” conseguiu caminhar cerca de 100 metros antes de sucumbir e cair sem vida em frente a um hotel próximo, onde veio a óbito. A Polícia Civil, com base nas imagens das câmeras, nos depoimentos coletados e nas diligências realizadas após o crime, considerou haver elementos suficientes para manter a prisão em flagrante de Weverton Ocampos por homicídio qualificado. Enquanto isso, “Japa”, apontado como coautor e o suposto responsável por entregar a arma do crime, segue foragido e é alvo de intensa busca policial, representando uma peça crucial para a elucidação completa e justa dos fatos.
A comunidade de Campo Grande aguarda desdobramentos neste caso que evidencia a violência nas ruas e a fragilidade das vidas em situação de vulnerabilidade. A justiça busca agora identificar e capturar o segundo envolvido, “Japa”, para que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas e a memória de José dos Santos Cunha seja honrada com a aplicação da lei.
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