Uma tentativa de execução na cidade de Maracaju, a aproximadamente 159 quilômetros de Campo Grande, desencadeou uma complexa investigação que culminou na desarticulação de um esquema de apoio logístico ao Comando Vermelho (CV) na região. O inquérito revelou que um homem de 41 anos alugava sua motoneta Honda C100 Biz preta por valores que variavam entre R$ 100 e R$ 150 a diária, para que integrantes da facção criminosa a utilizassem em atentados e no transporte de entorpecentes. A operação policial resultou na prisão do suspeito, lançando luz sobre as engrenagens ocultas do crime organizado local.
O Início da Investigação: Um Tiro no Pescoço e o Mistério da Motoneta
O caso começou a ganhar contornos na noite de segunda-feira, quando Carlos Edson Paes deu entrada no Pronto-Socorro do Hospital Soriano Corrêa, em Maracaju, ferido por um disparo de arma de fogo no pescoço. O homem, que chegou à unidade de saúde caminhando e sozinho, relatou à equipe médica que trafegava em sua motoneta quando foi atingido, mas não soube fornecer detalhes precisos sobre o local exato do ataque ou a identidade do atirador. Pouco tempo após o atendimento inicial, o quadro clínico de Carlos Paes se agravou, com rebaixamento do nível de consciência, exigindo intubação de emergência e uma solicitação urgente de transferência para Campo Grande em regime de ‘vaga zero’, dada a gravidade de seus ferimentos.
Na mesma noite, a Polícia Militar foi acionada e encontrou a Honda Biz estacionada em frente ao hospital, com a chave na ignição e visíveis marcas de sangue espalhadas pela estrutura e manopla. Inicialmente, a informação era de que a motocicleta pertencia à vítima. Contudo, a trama se adensou quando, por volta das 23h, antes que a perícia pudesse recolher o veículo para análise, uma segunda pessoa compareceu ao hospital, retirou a motoneta e a escondeu na residência de uma prima, localizada na Vila Margarida. Essa ação levantou as primeiras suspeitas e direcionou a investigação para um novo caminho.
Denúncias Anônimas e a Confissão do Esquema
Denúncias anônimas, cruciais para o avanço do caso, indicaram que o homem que havia retirado a motoneta do hospital era, na verdade, o proprietário do veículo e que ele o alugava para a prática de crimes. Com base nessas informações, a Polícia Militar abordou o suspeito na Rua Antônio João, na Vila Juquita. Pressionado pelas evidências e pelo interrogatório, o homem confessou onde havia escondido a motocicleta e admitiu manter o negócio ilícito com o crime organizado há aproximadamente três meses. Ele revelou ser usuário de cocaína e que cobrava entre R$ 100 e R$ 150 pelo aluguel diário da motoneta, ciente de que o veículo era utilizado em ações da facção criminosa.
Negociações Criptografadas e o Tráfico de Drogas
As negociações com os membros do Comando Vermelho eram realizadas por meio de mensagens via WhatsApp, utilizando contatos salvos com as alcunhas de ‘Foco, Força e Fé’ e ‘Chaves’, o que demonstra a tentativa de ocultar a identidade dos envolvidos e a natureza das transações. O suspeito detalhou ainda que guardava em sua residência uma mochila contendo porções de maconha, que havia sido entregue por um motorista de aplicativo. Assustado com a repercussão do atentado a tiros e a intensa movimentação policial na cidade, ele exigiu que os faccionados retirassem a droga de sua casa. Horas antes de sua prisão, um casal em uma moto vermelha compareceu ao local e recolheu o entorpecente, em uma clara tentativa de eliminar provas.
O homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Maracaju, onde o caso foi registrado como homicídio simples na forma tentada. A motoneta e o aparelho celular do autor foram apreendidos e serão submetidos a perícia, elementos que podem fornecer mais detalhes sobre o esquema e identificar outros envolvidos. A investigação prossegue para desvendar a extensão total da rede de apoio logístico ao Comando Vermelho na região e identificar todos os participantes nos crimes.
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