Policial Penal Acusado de Ser ‘Pombo-Correio’ do PCC é Demitido em Mato Grosso do Sul

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Éder William Ador, um policial penal que atuava no sistema prisional de Mato Grosso do Sul, foi oficialmente demitido do quadro da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). A decisão, publicada nesta segunda-feira (10), encerra um longo processo administrativo disciplinar que culminou na responsabilização do servidor por uma série de irregularidades graves, incluindo a facilitação de comunicação para uma das maiores facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A portaria de demissão, assinada pelo diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, detalha que a agência acolheu integralmente o relatório final da comissão responsável pelo Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Este relatório apontou falhas severas no exercício da função pública, destacando o uso indevido do cargo para obtenção de benefício próprio ou favorecimento de terceiros, além do recebimento de propina e outras vantagens ilícitas. As acusações lançam uma sombra sobre a integridade do sistema penitenciário e reforçam a vigilância necessária contra a infiltração criminosa.

A Atuação como 'Pombo-Correio' do PCC

A investigação que levou à demissão de Éder William Ador teve início em 2022, quando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou uma denúncia contundente. Segundo o órgão, o policial penal desempenhava um papel crucial como ‘pombo-correio’ para integrantes do PCC, especificamente dentro da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira (PEMRFG), localizada em Campo Grande. Essa função envolvia a perigosa tarefa de levar bilhetes entre membros da organização criminosa e, ainda mais grave, fornecer aparelhos celulares aos detentos, ferramentas essenciais para a coordenação de atividades ilícitas.

Em troca desses serviços clandestinos, a acusação aponta que Éder recebia vantagens financeiras. Embora o valor exato não tenha sido especificado nos autos do processo, a prática de corrupção dentro do sistema prisional é um fator que compromete a segurança pública e a eficácia da pena. A atuação do policial penal permitia que a facção mantivesse uma rede de comunicação interna e externa, burlando as medidas de segurança e controle impostas pela administração penitenciária.

Planos Sombrios Revelados em Bilhetes Interceptados

A gravidade das ações de Éder William Ador foi ainda mais evidenciada pelo conteúdo dos bilhetes interceptados durante a investigação. Segundo o Gaeco, essas mensagens revelaram planos macabros da facção criminosa, incluindo a intenção de assassinar cinco policiais penais que se recusaram a ceder às investidas do grupo. Tais ameaças sublinham o alto risco enfrentado pelos agentes que trabalham na linha de frente do combate ao crime organizado dentro das prisões.

Além das ameaças a servidores, os bilhetes também discutiam a entrada de objetos perfurantes, que seriam utilizados em ataques contra presos do Pavilhão 4, conhecido como ‘Super Máxima’. Este setor, que abriga detentos considerados de alta periculosidade, seria alvo de uma escalada de violência planejada pela facção. A capacidade de um agente público de facilitar tais planos expõe uma vulnerabilidade crítica na segurança prisional.

Crimes Orquestrados de Dentro para Fora

A apuração revelou que os bilhetes não se limitavam a questões internas da penitenciária. Eles eram também um canal para transmitir ordens relacionadas a crimes que seriam executados fora dos muros da prisão. Entre as ações planejadas estavam sequestros, furtos e homicídios, demonstrando a capacidade da facção de orquestrar atividades criminosas complexas e de grande impacto social a partir do ambiente carcerário, com a ajuda de agentes corruptos.

Conexão com Operações Policiais Maiores

Éder William Ador foi um dos alvos da Operação Bilhete, uma ação policial que investigou sua atuação como mensageiro de presos ligados ao PCC. A Operação Bilhete também se inseriu em um contexto mais amplo de investigações, conectando-se a indivíduos e fatos apurados no âmbito da Operação Omertà, que desvendou uma complexa rede de crimes organizados em Mato Grosso do Sul. A demissão de Ador representa um passo importante na luta contínua das autoridades para desmantelar as estruturas criminosas que tentam se infiltrar e operar dentro do sistema penitenciário.

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