Corumbá Revelada: Arquiteto Desvenda Joias Modernas Além dos Casarões Históricos

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Corumbá, conhecida por seu rico patrimônio arquitetônico do final do século XIX, predominantemente neoclássico e eclético, agora ganha uma nova camada de história e significado. O arquiteto e urbanista corumbaense Bosco Delvizio convida moradores e visitantes a redescobrir a cidade por meio de um olhar inovador sobre sua arquitetura moderna. Sua pesquisa e paixão culminam no livro “Ladeira do Porto Acima… Arquitetura moderna e memória de Corumbá“, que promete transformar a percepção sobre o cenário urbano local, revelando edifícios que, embora muitas vezes passem despercebidos, carregam histórias fascinantes e um valor estético singular.

Um Novo Olhar Sobre a Arquitetura Corumbaense

A obra de Bosco Delvizio surge como um convite irrecusável para explorar uma Corumbá que transcende a imagem dos tradicionais casarões. Ao focar em construções que representam a arquitetura moderna, o autor não apenas resgata a memória de edifícios singulares, mas também propõe uma reflexão sobre as transformações urbanas e culturais da cidade ao longo do tempo. O lançamento do livro, realizado no Museu Casa do Dr. Gabi, marca um momento importante para a valorização do patrimônio menos óbvio, mas igualmente relevante, que compõe a identidade de Corumbá. É uma oportunidade para corumbaenses e turistas ampliarem seu entendimento sobre a diversidade arquitetônica que moldou o município.

A Escola Estadual Maria Leite de Barros: O Toque de Niemeyer

Entre os exemplos destacados por Bosco Delvizio está a Escola Estadual Maria Leite de Barros, um ícone da arquitetura moderna corumbaense. O projeto, associado ao renomado Oscar Niemeyer, impressiona pela sua volumetria expressiva e pela inteligente utilização de elementos que não só embelezam, mas também otimizam o funcionamento do edifício e sua adaptação ao clima local. “A Escola trabalha com uma volumetria de muita expressão. Inclusive para o próprio funcionamento do edifício, são coberturas curvas, protetores solares e elementos vazados, que são todos elementos utilizados na arquitetura moderna”, explica o arquiteto. Essa abordagem funcional e estética demonstra a vanguarda do design aplicado à educação.

Edifício I.O.S.A.: O Marco da Verticalização Pioneira

Outro ponto de destaque na narrativa de Delvizio é o Edifício I.O.S.A., reconhecido como a primeira experiência de verticalização em Corumbá. Com seus três pavimentos, a construção se distingue pela fachada que revela a própria estrutura do prédio. Os pilares circulares, dispostos em uma grelha, não são meramente decorativos, mas elementos fundamentais para a sustentação do edifício. “Ela é a primeira verticalização de Corumbá. Ele tem três andares, e toda a fachada é construída como resultado da própria estrutura do edifício. Você vê os pilares circulares na fachada, formando uma grelha. A fachada toda é em formato de grelha, mas não é enfeite: é estrutural, é a sustentação do edifício”, detalha o autor, enfatizando a inovação construtiva da época.

Casa Sahib: A Ruptura Minimalista no Cenário Urbano

A Casa Sahib representa um exemplo notável de arquitetura moderna que rompeu com os padrões estéticos predominantes no final do século XIX em Corumbá. Esta residência assobradada se caracteriza por uma volumetria minimalista e pelo uso inteligente de elementos como a laje plana, que se integra à estrutura da cobertura, e elementos vazados de louça colorida. Esses recursos conferem à casa uma identidade visual única e um contraste marcante com o estilo arquitetônico da época. “É uma casa sobradada, que tem uma laje plana, e a própria laje de cobertura faz parte da estrutura. Ela utiliza elementos vazados de louça colorida e trabalha com uma volumetria minimalista, diferente do período do final do século XIX”, descreve Bosco Delvizio, ressaltando a ousadia do projeto.

A Ladeira do Porto Acima e a Redescoberta da Memória

A escolha do título “Ladeira do Porto Acima…” não é aleatória. Bosco Delvizio estabelece uma metáfora entre a escalada das ladeiras do Porto Geral de Corumbá e o percurso de descoberta da arquitetura moderna da cidade. Subir uma ladeira, segundo ele, exige esforço, constância e fôlego, mas recompensa com uma mudança de perspectiva e uma ampliação do olhar sobre a paisagem urbana. Essa visão se estende à arquitetura produzida a partir de meados do século XX, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, que, com o passar do tempo, adquiriu valor histórico. “Eu, como arquiteto e corumbaense, fui abrindo o meu olhar para outras expressões da arquitetura de Corumbá, que também já são históricas, como, por exemplo, a arquitetura produzida a partir da metade do século passado até os dias atuais”, afirma o autor. Sua obra não apenas documenta, mas também celebra essa parte da história arquitetônica corumbaense, oferecendo um novo prisma para entender a evolução da cidade e a riqueza de seu patrimônio, muitas vezes oculto à primeira vista.

O trabalho de Bosco Delvizio é um convite à valorização e ao reconhecimento de uma Corumbá multifacetada, onde a modernidade se entrelaça com a tradição, enriquecendo a narrativa histórica e cultural do município. Seu livro é uma ferramenta essencial para quem deseja aprofundar-se na alma arquitetônica da cidade branca, revelando detalhes e histórias que moldaram seu presente. Continue acompanhando o Jornal Alvoradense para se manter informado de todas as notícias da região.

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