Audiência Chocante: Testemunhos Descrevem “Mania de Perseguição” e Preocupação Extrema de Ex-Prefeito

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A audiência de instrução da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que apura o assassinato do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, revelou detalhes cruciais para a compreensão do complexo caso. Das quatorze testemunhas de defesa previstas para serem ouvidas, apenas sete compareceram e prestaram depoimento. Amigos, vizinhos e ex-colaboradores do réu, o ex-prefeito, advogado e radialista Bernal, apresentaram relatos convergentes que descrevem uma notável “mania de perseguição” e uma preocupação excessiva com a própria segurança. Essas informações se tornam centrais para a tese defensiva, buscando contextualizar o estado mental do réu no período que antecedeu o trágico incidente.

O Depoimento Chave do Delegado Valmir Moura Fé

Entre os depoentes, o delegado Valmir Moura Fé, amigo de longa data de Bernal, inicialmente o descreveu como uma pessoa sempre educada e equilibrada em suas interações. No entanto, ao ser questionado pela defesa, Fé revelou que o ex-prefeito “relatava constantemente situações de perseguição política”, um tema recorrente em suas conversas. O delegado exemplificou essa preocupação com um incidente específico: um jornal lançado na casa de Bernal o levou a acionar a equipe de segurança, temendo um atentado, evidenciando sua preocupação constante com a própria integridade e a de seu patrimônio.

Valmir Moura Fé concluiu que Bernal “tinha convicção de que estava sendo perseguido ou ameaçado”, possivelmente devido ao intenso contexto político que vivenciou, especialmente após o processo de cassação e seu retorno ao cargo. Segundo o delegado, essa percepção de ameaça “acabou gerando diversos registros de ocorrência”, sublinhando a persistência de tal estado de espírito e a materialização de suas inquietações em atos formais junto às autoridades.

As Acusações de Bernal em Juízo e o Contexto Imobiliário

O próprio ex-prefeito, durante sua oitiva, abordou suas preocupações e fez diversas alegações. Ele mencionou que os processos judiciais que ajuizou sobre a posse do imóvel corriam em segredo de justiça. Segundo Bernal, essa medida visava esconder sua “condição de ruína financeira” de “pessoas ligadas à política e que tinham influência dentro do Judiciário e do Ministério Público”, sugerindo uma conspiração para prejudicá-lo financeira e politicamente. Ao final do depoimento, Bernal fez acusações graves e sem provas em relação à perda de sua residência em leilão, afirmando que “essa consolidação foi feita por uma máfia que existe dentro da Caixa Econômica Federal, aproveitando a desgraça das pessoas para obter vantagem e continuar crescendo ilicitamente”.

O ex-gestor ainda alegou que, antes de a posse do imóvel ser transferida para a Caixa Econômica Federal em julho do ano passado, ele mantinha negociações diretas com o banco para tentar chegar a um acordo. Ele desconhecia, segundo seu próprio relato, a existência de um comprador arrematante que agora teria direito sobre a propriedade. Além do delegado e amigos, a audiência também ouviu dois vizinhos, dois prestadores de serviço (piscineiro e jardineiro), uma amiga e dois ex-secretários de sua gestão municipal: Luiz Alberto Algaranhes Antunes e Ricardo Trefzger Ballock, todos corroborando, em diferentes níveis, aspectos da tese defensiva.

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A Tese da Família da Vítima

Representando a família da vítima, o advogado Tiago Martinho apresentou uma avaliação positiva do dia, refutando veementemente a ideia de invasão do imóvel. “Em nenhum momento houve invasão. O que existia era uma pessoa ingressando em um imóvel que lhe pertencia legitimamente”, declarou Martinho. Ele detalhou que a propriedade já havia sido escriturada em 19 de fevereiro, com pedido de registro realizado em 23 de fevereiro e posteriormente consolidado em cartório, reiterando a legalidade da posse de Mazzini sobre o imóvel e a inconsistência da alegação de invasão.

A Argumentação da Defesa de Bernal

Por sua vez, o advogado de defesa de Bernal, Ricardo Machado, enfatizou a confirmação de que a casa não estava abandonada. Este ponto é crucial para a tese de que ninguém poderia acessar o local sem a devida permissão. “Isso pode ser observado por meio das contas de água, contas de luz, contratação de piscineiro e demais comprovações relacionadas às reformas que ele realizava na residência”, argumentou Machado, buscando demonstrar que o imóvel era ativamente cuidado e habitado, contrariando a ideia de um abandono que justificaria a entrada de terceiros.

A audiência consolidou as diferentes narrativas em torno do caso, com a defesa construindo um panorama de um réu que vivia sob constante pressão e percepção de ameaça, enquanto a acusação se mantém firme na legitimidade da posse da vítima sobre o imóvel. O processo prossegue, com a justiça buscando ponderar todas as evidências para um veredito neste complexo caso que envolve uma figura pública de Campo Grande e cujo desfecho é aguardado com grande expectativa.

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