Operação Iscariotes: Investigadores da Polícia Civil Afastados e Presos por Contrabando e Lavagem de Dinheiro

Em um desdobramento que reverberou na segurança pública de Mato Grosso do Sul, dois investigadores da Polícia Civil, Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, foram compulsoriamente afastados da corporação. A medida, publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (23), ocorreu três dias após perderem suas funções de chefia. Ambos foram presos na Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de março, sob investigação de um complexo esquema de contrabando de mercadorias e lavagem de dinheiro, com envolvimento de servidores públicos.

O afastamento, com efeito retroativo à data das prisões, foi formalizado pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves. A decisão segue uma determinação judicial de prisão preventiva dos investigadores, proferida no âmbito da Operação Iscariotes. Este passo sublinha o rigor institucional contra desvios de conduta e reforça o compromisso com a integridade dos quadros da segurança pública em Mato Grosso do Sul.

Detalhes da Operação Iscariotes e o Esquema Desvendado

A Operação Iscariotes representa uma das maiores investidas contra o crime organizado e a corrupção envolvendo agentes de segurança no estado. A ação mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir aproximadamente 90 ordens judiciais. Entre elas, destacam-se 31 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão preventiva, que incluíram os dois investigadores. A operação também resultou no bloqueio de bens que somam cerca de R$ 40 milhões, pertencentes a 12 pessoas físicas e jurídicas, evidenciando a vasta extensão e a sofisticação do esquema criminoso.

A investigação da Polícia Federal desvendou um esquema complexo que unia policiais civis e militares, tanto da ativa quanto aposentados. O grupo dedicava-se ao transporte de mercadorias ilegais e, de forma ainda mais grave, à lavagem de dinheiro, com o intuito de ocultar a origem ilícita dos valores obtidos com as práticas criminosas. As buscas foram realizadas em endereços residenciais de alto padrão, como no Bairro Universitário e condomínio Alphaville, além de estabelecimentos comerciais, incluindo boxes no Camelódromo e lojas em um posto de gasolina, supostamente ligados a Clenio Alisson Tavares e seu filho, Brendon Alisson Medeiros Tavares.

Os investigadores Célio Rodrigues Monteiro, lotado na Delegacia de Sidrolândia, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, da 5ª Delegacia da Capital, foram presos em suas casas. As apurações indicam que ambos atuavam desde o fornecimento indevido e monitoramento de informações sigilosas, extraídas de sistemas policiais oficiais, até o transporte físico das mercadorias. Há fortes indícios de que utilizavam a prerrogativa da função pública para facilitar e favorecer as atividades criminosas do grupo, deturpando a confiança institucional neles depositada pela sociedade.

Medidas Administrativas e Histórico Controverso dos Servidores

Além do afastamento imediato das funções, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil impôs uma série de rigorosas medidas administrativas. Foram recolhidos a arma funcional, a carteira policial e todos os demais itens institucionais que lhes conferem autoridade e acesso. Simultaneamente, foi determinada a suspensão imediata de seus acessos a sistemas internos da Polícia Civil, uma ação crucial para preservar a integridade das informações e prevenir novas tentativas de uso indevido da estrutura da corporação. Paralelamente a essas providências, um procedimento disciplinar robusto foi instaurado para apurar detalhadamente a conduta dos investigadores, garantindo as devidas sanções caso as acusações sejam confirmadas.

O histórico de Célio “Manga Rosa” e Edivaldo Quevedo já apresentava episódios de controvérsia. Célio, que estava em Sidrolândia, havia sido transferido para a cidade após ser alvo da Operação Snow, deflagrada em março de 2024. Quatro anos antes, em 2020, ele já havia sido preso na notória Operação Omertà, acusado de lavagem de dinheiro para um grupo ligado à exploração do jogo do bicho, embora tenha sido posteriormente inocentado em primeiro e segundo graus nesse caso específico. Já Edivaldo Quevedo, em 2024, cumpria medidas cautelares após ser flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal – um crime de descaminho. Ele havia pago fiança e respondia ao processo em liberdade, um status que agora é drasticamente alterado pela prisão preventiva na Operação Iscariotes.

Compromisso com a Legalidade e a Confiança Pública

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio de sua Corregedoria, reafirma que o caso segue sob análise rigorosa e que as investigações continuam em andamento, visando a total elucidação dos fatos e a responsabilização de todos os envolvidos. A Operação Iscariotes envia uma mensagem clara de que a lei será aplicada indistintamente, sem privilégios para aqueles que deveriam zelar por ela. Este episódio, embora lamentável, reforça o compromisso das forças de segurança em manter a integridade de seus quadros e em trabalhar incansavelmente para preservar a confiança da população. A sociedade alvoradense e sul-mato-grossense espera que a justiça seja feita e que tais desvios sejam combatidos com a firmeza necessária.

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